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Tratamento de pessoas com HIV durante pandemia é uma preocupação, diz estudo

A pandemia do novo coronavírus tem feito com que o sistema de saúde de muitos países esteja quase inteiramente dedicado ao tratamento da doença. Segundo um estudo publicado online no veículo científico The Lancet, no entanto, esforços contra o Covid-19 podem prejudicar outros pacientes já portadores de alguma condição, como o HIV.

Para os cientistas chineses, há três pontos principais que devem ser considerados como prejudiciais para a população portadora de HIV, que já passa dos 38 milhões, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Primeiramente, a quarentena imposta por muitos países aos seus cidadãos poderia dificultar o acesso a centros de saúde para a realização de testes diagnósticos de HIV. Mesmo que haja a possibilidade de efetuar um teste rápido, essa opção ainda não está disponível em escala global.

Em segundo lugar, o estudo ressalta que médicos e profissionais da saúde estão ocupados tentando controlar a pandemia, e que isso poderia atrasar o início do tratamento antirretroviral, crucial assim que um paciente descobre ser soropositivo.

O último ponto que o estudo cita é um possível comprometimento do tratamento de pacientes já diagnosticados, devido à quarentena e a restrições no trânsito de vários países. Com uma interrupção do tratamento antirretroviral, além da pressão psicológica que o indivíduo virá a sofrer, também há um risco de piora na saúde e queda da imunidade.

A situação no Brasil

R., de 24 anos, foi diagnosticado com HIV aos 20. Atualmente, o seu quadro é bom, sem avanço do vírus, que encontra-se indetectável. No entanto, ainda é dependente da medicação, que toma diariamente.

Apesar da crise no sistema de saúde brasileiro desde antes do surgimento da Covid-19, R. está conseguindo manter a sua medicação em dia. Ao falar com a administração do posto de saúde no qual é atendido, conseguiu medicamentos para um período de dois meses: “No começo eu estava com medo de não conseguir remédio. Eu tinha que ir lá todo mês pegar, então tirar uma dose maior fica bem mais tranquilo para mim”.

Conseguir ser atendido pelo setor de infectologia ainda é um desafio. “Eu estou sem atendimento faz mais de seis meses, porque a minha antiga infectologista saiu e até agora não chegou ninguém. Fico nesse vai-e-vem e até agora não consegui ler os meus exames. Minha consulta estava marcada para setembro, esperei muito, depois descobri que não havia médico nenhum”, ele conta.

Recomendações para pacientes com HIV durante a pandemia

A UNAIDS, programa das Nações Unidas criado em 1996, tem como objetivo a conscientização e prevenção do avanço do HIV, além de oferecer assistência e ajudar países a pensar em soluções para melhorar a qualidade de vida da população soropositiva.

Além das recomendações já reforçadas pela Organização Mundial da Saúde, algumas são cruciais para esse grupo de risco. Entre elas:

  • Prepare-se 
    É necessário discutir a possibilidade de adquirir medicamentos para um período maior, como foi o caso de R. Outra recomendação é procurar uma rede de apoio na sua comunidade local.
  • Cuide de você e das pessoas ao seu redor
    A pandemia vem gerando uma grande ansiedade em muitas pessoas, por isso é necessário se informar apenas através de veículos de confiança e, se necessário, evitar acompanhar a cobertura da pandemia. Além disso, a UNAIDS recomenda meditação, alongamento e meditação, mecanismos eficientes para se acalmar.
  • Saiba seus direitos
    É possível que, em época de grande estresse, a discriminação aconteça com mais força. Fique informado sobre os seus direitos e prepare a sua família e sua comunidade.

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

Paula Félix

Photo by freestocks on Unsplash